Arteterapia – um processo criativo de sanação

Neste texto, apresentarei a vocês a abordagem terapêutica da Arteterapia, como ela se desenvolve e, acima de tudo, procuro mostrar a necessidade do trabalho embasado, do trabalho responsável. A Arteterapia é uma modalidade onde recursos e materiais artísticos como giz, papéis, lápis, pincéis, tintas, recortes e muitos outros, são explorados terapeuticamente através de atividades criativas, pela experimentação livre dos materiais disponíveis.

Processo terapêutico aplicado em sala de aula.

O processo terapêutico da arte se faz na interação da pessoa com o material. O indivíduo é visto e considerado como um todo, desde sua respiração até seu modo de se movimentar e olhar.

Este processo arteterapêutico é gratificante, pois a pessoa passa a ter diferentes percepções de si, libertando-se de sentimentos negativos através do contato com as cores, a fluidez das tintas, os movimentos dos lápis e assim por diante. Ocorre a revalorização do ser através de suas obras e expressões.

Diversas definições já foram propostas e a que segue é uma das mais interessantes. Segundo a American Art Therapy Association (AATA) fundada em 1969:

Arteterapia” é uma profissão assistencial ao ser humano. Ela oferece oportunidades de exploração de problemas pessoais por meio da expressão verbal e não verbal e do desenvolvimento de recursos físicos, cognitivos e emocionais, bem como a aprendizagem de habilidades, por meio de experiências terapêuticas com linguagens artísticas variadas. O uso da arte como terapia implica que o processo criativo pode ser um meio tanto de reconciliar conflitos emocionais, como facilitar a autopercepção e o desenvolvimento pessoal.” (American ArtTherapy Association, Boletim Informativo 199)

Quando se produz um trabalho arteterapêutico?

Processo terapêutico aplicado em sala de aula.

A execução ocorre com a imersão da consciência, que atingirá o desconhecido do inconsciente, sendo possível resgatar ideias e transmutar sentimentos ao analisar os resultados.

A arte permite estruturar e reestruturar, criar e registrar cada momento. Com cada cor que vamos empregando, com aquilo que é apagado, mudado e remodelado, são trabalhadas diversas emoções no processo de se fazer arte. Todo esse processo é analisado durante um processo arteterapêutico e revela muito sobre cada um.

Ocorreu que o homem é capaz de utilizar diversos símbolos e formas para expressar o que vê e sente. Maida Santa Catarina, em seu livro “Mandala, o uso na Arteterapia”, nos diz que:

“A pintura pode nos dar a conhecer o passado e as várias épocas e os diferentes estilos percorridos pelo homem na evolução de sua consciência. Por meio do grafismo, da cor e da textura, ele expressa o ato criador. Mostra manifestação, ele deixa ali sulcado quem realmente ele é, seus valores, suas crenças e todos os seus sentimentos que fazem parte da condição humana.” (p.15)

Como se observa, o processo arteterapêutico possibilita o desenvolvimento do ato criativo do ser humano e seu desprendimento das amarras estereotipadas do julgamento. Desperta assim o potencial da pessoa, quebrando barreiras de resistência, medo, falta de autoconfiança e autoestima, onde são projetados conteúdos profundos, possibilitando outra analise do EU, curando o que não está sadio, satisfeito e feliz.

Grupo misto com adolescente e adulto em processo terapêutico.

No processo criativo do indivíduo, no momento de sua expressão artística, surge de forma repentina o insight do conteúdo do inconsciente, como se surgisse luz em um lugar completamente escuro. Surge a compreensão da verdadeira natureza dos bloqueios, podendo ser acessada através da intuição.

Convém fazer um breve parênteses e fazer uma brevíssima (e provavelmente incompleta) explicação: o inconsciente é denominado por Freud e Jung como o conteúdo mental não acessível ao ego. O ego atua como um mediador com o consciente, é parte dos desejos e exigências procedentes dos impulsos do indivíduo: seus pensamentos, ideias, sentimentos e percepções sensoriais.

O inconsciente envia insights para o consciente. Muitos desses insights trazem informações positivas sobre a pessoa em processo terapêutico e em busca do autoconhecimento, como o que motiva seu comportamento, seus pensamentos e aações. Permanecer num estado de retração pode não ser o caminho da transformação, mas é o caminho mais conveniente, mais confortável.

Por meio da Arteterapia o indivíduo, em seu processo criativo, recebe insights enviados pelo inconsciente e que trarão à luz, ao consciente, suas percepções, sentimentos, ações, etc.

Feito este parênteses, cito um exemplo dado por Maida Santa Catarina, que  apresenta o caso de uma paciente que descreve sua dor com as seguintes palavras:

“Meu corpo todo arde pela dor do abandono da minha mãe amada, minhas mãos pesam, meus braços falecem e sinto que eles estão fracos para enfrentar o peso do mundo. Sinto um vazio, uma dor na alma. Tenho raiva, muita raiva, não consigo me sentir inteira. Raiva por ser discriminada e não ser amada, deixada de lado, esquecida. Sinto-me em pedaços, sinto o nada, um vazio. A dor da alma representa um eco, como o eco da floresta. Quando a gente grita se ouve o grito, mas não se sabe onde ele está. Ele não está em nenhum lugar em específico, permanece em toda a floresta. A dor do abandono é o grito que está no eco. É como se fosse um túnel, e a dor é refletida em todo o espaço. Esta é a dor do abandono.” (p.17)

Lendo estas palavras, sempre me cumpre alertar para nossa responsabilidade enquanto terapeutas e buscadores de um caminho terapêutico: para agir em determinadas situações, como essa do exemplo, é preciso antes possuir um embasamento teórico sobre a dinâmica da psiquê humana e sobre as técnicas arteterapêuticas a serem aplicadas, suas funções, seus desenvolvimentos e as relações com cada material prático. A tinta aquarela, por exemplo, que é tão fluida e leve, pode provocar reações negativas ou até um surto em pacientes obsessivos por controle.

Através do diálogo com o paciente e a exploração da arte, o potencial criativo pode emergir. O contato com diferentes materiais disponibilizados pelo arteterapeuta permite ao indivíduo a ampliação de sua consciência.

Atividade de un assistido, desenvolvida em grupo online.

Este é um pequeno texto, mas que apresenta ideias concretas de como funciona a modalidade terapêutica denominada Arteterapia: como sempre trato de destacar, é sempre importante termos consciência e responsabilidade para com o outro, sobretudo quando somos nós os terapeutas e outros depositam em nossas mãos seus problemas e fragilidades para que, de alguma forma, possamos ajudá-los a reencontrar o equilíbrio e a força para se curar, para sanar suas feridas e reformular seu interior.

Espero que tenham gostado deste pequeno texto. Eu, particularmente, cursei especialização em Arteterapia e foquei minha prática por meio das Mandalas. Ao final do texto mostrarei algumas fotos de trabalhos desenvolvidos com Arteterapia com Mandalas online com grupo misto.

E vocês? Já tiveram contato? Compartilhem comigo se vocês já experimentaram a Arteterapia, se já estiveram em alguma vivência com esta abordagem terapêutica ou se tem interesse em fazer algo relacionado com a Arteterapia (ainda que de forma virtual, dada nossa situação de resguardo em função da pandemia).

Seus comentários, sugestões e críticas serão sempre bem vindos e são essenciais para que eu possa seguir desenvolvendo este trabalho.

Gratidão!

14 comentarios sobre “Arteterapia – um processo criativo de sanação

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